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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A CIGANA

Quinto romance escrito por Wind Rose. Postado pela primeira vez em 2007.




A CIGANA
Breve em versão impressa (livro) e digital (ebook)!
Revisado e revisto com cenas inéditas!


Para saber mais acesse:
http://www.diedraroiz.com/p/colecao-arco-iris.html



ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que vai publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em  2017, será o sexto livro da Coleção Arco-Íris - Primeiras histórias de Diedra e Wind, por isso a história não está mais disponível na íntegra neste site.




PLÁGIO É CRIME! NÃO COPIE, CRIE! 
Este texto não caiu do céu, é resultado de MUITO trabalho.

Todos os direitos reservados. 


Proibida a reprodução, adaptação ou disponibilização para download,  no todo ou em parte, através de quaisquer meios, sem a autorização da autora. 
Lei de Direitos Autorais nº. 9.610/98





Lembrando que... Copiar a história apenas trocando o nome das personagens não é fanfiction nem adaptação, é plágio. Por favor, não façam isso, ok?


CAPÍTULO 01

Caminhando às margens do Rio Guadalquivir, saindo de Sevilha, a velha cigana caminhava a passos largos puxando pela mão a menina que, cansada, parava.... Para com um puxão ser, novamente, colocada em marcha. A cigana tinha em mente apenas um objetivo, livrar sua neta do subjugo tirânico de seu pai, para isso a saída de Sevilha precisava ser vencida antes do amanhecer. Ainda ouviam-se, ao longe, os últimos e festivos andaluzes que amanheciam entretendo os turistas com a dança flamenca, típica da região.

Ao aproximar-se da estrada de terra, a velha cigana fez sinal para que a carroça se aproximasse.

- Vovó. Estou com medo!

- Não tenha! Encontrará a felicidade muito longe daqui.

- Como pode saber? Não quero ir embora!

- Apenas sei... E você saberá também. Precisa ir!

- Como... Como sabe?

- Virá até você!

- Quem?

- Seu destino Inka... Seu destino...

- Mas e... Ele... Ele pagou por mim... Como meu pai vai...?

- Inka... Seu pai devolverá o dinheiro a ele. Agora vai!

A menina, com os olhos marejados viu o carroceiro se aproximar. Ele freou os cavalos ao lado das duas ciganas.

- Tem certeza velha?

- Tenho, tire-a daqui... Da mesma forma que fez com Vana há 10 anos atrás.

- A viagem é difícil...

- Não importa!

- O navio parte à noite... Não tem volta!

- Leve-a...

Terminou de falar e estendeu ao carroceiro um envelope com algumas notas em dinheiro. Antes de ajudar a menina subir, a cigana mais velha segura-a pelos ombros. O olhar negro da jovem cigana refletia o pavor que ela estava sentindo..

- Inka, não desvie-se no caminho... Procure sua tia Vana. O endereço está na sua bolsa. Entregue a ela a carta que está junto e nunca mais volte aqui. Vá ao encontro do seu destino!

Empurrou a menina para cima da carroça e fez sinal para que o carroceiro seguisse. Ficou por alguns instantes vendo sua neta se afastar. Secou as lágrimas que molhavam seu rosto. Sabia que não havia outra saída, tinha que mandá-la embora...





14 anos depois, algum sábado do mês de janeiro, do ano de 2006... Do outro lado do Atlântico.

No interior de uma loja de produtos esotéricos localizada em um grande shopping de uma capital no sul do Brasil, as pessoas entravam e saiam, alheias a toda discussão que acontecia nos fundos da loja.

- Tia Vana, eu não quero participar disso, sabe que não gosto dessa forma de exposição.

- Minha filha, por favor, eu não tenho mais ninguém. Mena está doente e Siona viajou. Com muito custo consegui que Carmela fique entregando as senhas. Você sabe como são essas ciganas... E, precisamos de representação na feira. Estamos patrocinando o evento.

- Tia... Não concordo com isso... Falei que não me envolveria nisso... – A jovem respondeu irritada enquanto separava os blocos de notas.

- Por favor, Inka... Preciso de você. E além do mais você sabe que é a melhor de nós.

- Tia....

- Por favor...

- Está certo... O que não faço por você? Mas preste atenção! Só amanhã, para os outros dias consiga outra.

- Minha sobrinha linda... Sabia que não me deixaria na mão. - Abraçaram-se.

- Que horas começa? - A mais jovem perguntou com resignação.

- Na hora que abrir. Durma cedo hoje. Esteja aqui amanhã às 10 horas e enquanto você estiver lá, cuido da loja.

- Estarei, tia. Estarei.

E saiu em direção a frente da loja para ajudar as duas atendentes que não davam conta de atender a todos os clientes.

- Estou indo para lá ajudar na organização... Está ficando lindo! - A outra falou, antes de sair rapidamente da loja. Inka limitou-se a balançar a cabeça.





No domingo de manhã, Inka chegou ao shopping antes de abrir. Dirigiu-se direto para a loja, para vestir-se conforme a ocasião pedia. Enquanto esperava o elevador no estacionamento, buscava concentrar-se no que tinha para fazer. Apesar de não concordar com esse tipo de evento em shopping, sabia que as pessoas que estariam lá buscavam saber coisas de suas vidas e isso a fazia sentir-se com uma responsabilidade muito grande. Sabia que tinha sensibilidade e poder para ver coisas que outros não tinham, mas sabia também que esse dom tinha que ser canalizado para ajudar e isso era a parte mais difícil, pois como saber se com as informações que dava às pessoas, estava ajudando-as ou não? Como saber de que forma as pessoas usavam as informações que recebiam? Isso muitas vezes tirava-lhe o sono. Utilizava a quiromancia como um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino. E não como um mero sistema de adivinhação, como muitos pensavam.

Entrou no elevador imaginando o dia que teria pela frente. O elevador parou no andar de baixo e, neste momento, arrependeu-se de não ter descido pelas escadas.

- Bom Dia Inka!

- Olá Raul.

- Ora , ora... Tão cedo? E no domingo? Normalmente não trabalha domingo, que houve?

Suspirou com a pergunta irônica de Raul.

- Hoje vou trabalhar - Limitou-se a responder.

O elevador parou e ela desceu... Ele atrás.

- Inka... Espera... Vamos conversar...

- Não posso Raul. Tenho compromisso agora e já conversamos tudo que tínhamos para conversar. - Falou sem olhar para o lado. Ele puxou-a pelo braço... E a fez parar.

- Esta com ele não é? Aquele Lucas, vocês estão sempre juntos!

- Raul me solta!

- Responde! Me deve isso. Estão sempre juntos. Me deixou por causa dele, não é?

- Não te devo satisfações da minha vida Raul, mas Lucas é meu amigo! Me solta! - Puxou o braço e continuou andando. Ele não desistiu.

- Você não vale nada Inka! Devia ter ouvido a todos quando me falavam de você!

Ela parou de forma abrupta e olhou para ele.

- O que seus amiguinhos riquinhos falavam Raul? Não! Não diga, vou tentar adivinhar: “O que você faz com essa cigana Raul? Ela vai te roubar! Essa gente não presta” Era isso? -  Virou as costas e continuou andando.

- Sim! Mas não é a isso que me refiro. Diziam outra coisa, que sou obrigado a concordar. Você é uma vadia! Uma cigana vadia - A última afirmação foi aos gritos.

Ela virou-se e limitou-se a caminhar até ele, lentamente e de forma sensual, deixando-o sem ar. Aproximou-se o suficiente para o cheiro dela inebria-lo. Viu-o fechar os olhos... E falou, baixinho no seu ouvido:.

- Uma cigana vadia... Que você quer de volta não é Raul? Mas ouça com atenção. Nunca mais! Entendeu? Nunca mais!

E se afastou deixando-o parado, olhando-a, extasiado daquela proximidade que ele tanto desejava novamente.





Às 10 horas, Inka atendeu o primeiro cliente. Percebeu entre um e outro que o movimento do lado de fora estava intenso. A maioria das pessoas tinham praticamente as mesmas preocupações e indagações. A mulher mais velha perguntou: “Quero saber se meu marido me trai.” A jovem só queria saber: “Vou casar com João?” A moça preocupada com o futuro indagava: “Quantos filhos vou ter?”  E o Homem nervoso se limitou a perguntar: “Vou conseguir esse emprego?” E assim, passou quase toda manhã.

Próximo ao meio dia recebeu um rapaz, achou extremamente simpático e delicado. Queria saber se o namorado o traía com o melhor amigo, fez a pergunta constrangido. Inka sorriu enquanto segurava sua mão. Ela o tranquilizou e depois de alguns minutos ele ficou à vontade. Conversaram por quase meia hora e ela falou a ele que não se preocupasse em descobrir isso, pois existem muitas mudanças que chegam causando um terremoto em nossa vida, mas depois percebemos que o movimento ruidoso serviu para desalojar determinadas certezas e trazer outras. Disse a ele que, em breve, encontraria um amor sincero. Ele pediu uma simpatia para atrair bons fluidos e esse amor que ele tanto queria viver, pois confessou que não amava o atual namorado e sonhava em viver um grande amor. Ela sorriu.

- Certo... Faça o seguinte: antes de sair de casa, quando for tomar seu banho, pegue uma rosa vermelha e deixe-a ferver por alguns minutos em um litro de água. Deixe esfriar e acrescente uma colher de mel puro. Misture e jogue essa água por todo o corpo. E só depois tome seu banho.

- Vai funcionar? - Ele riu constrangido.

- Depende mais de você... Do que de mim.

Estendeu a mão e colocou, delicadamente, os dedos em sua testa, completou com a voz suave e olhando-o nos olhos:

- Sua vontade é aliada de seu destino. Não se esqueça disso.

Ele ficou por alguns instantes preso naquele olhar... Até que ela se moveu e desviou o olhar... Levantou-se indicando que a consulta havia terminado. Ele fez o mesmo.

Pagou a consulta e despediram-se. Antes de sair, ele virou-se para ela e falou que sua amiga entraria logo depois dele.

- Ela não acredita muito. Portanto não liga se ela for meio... Meio...

- Descrente? - Respondeu enquanto sentava-se do outro lado da mesa para aguardar o próximo.

Ele riu.

- Ia dizer... Estúpida.

Riram juntos...





Inka não precisou levantar os olhos... Foi como se soubesse quem estava na sua frente, naquele momento. Flashes do olhar de sua avó vieram imediatamente em sua mente. Lembrou-se do dia que subiu na carroça com destino incerto...

Destino.... Destino... Destino...

Essa palavra martelava em sua mente... Levantou os olhos... E encarou aquele olhar... Foi tomada pela surpresa. A mulher alta, parada à sua frente... Era a  materialização de suas lembranças, viu o sorriso, inseguro, mais lindo que jamais viu na vida e o medo se apossou de sua alma... “Virá até você”. Lembrou-se imediatamente das palavras... Estava ali, parada na sua frente. Não! Sua felicidade não poderia ser na forma de uma mulher... Linda... Com um olhar que faria o maior iceberg derreter... Os traços finos terminando nos lábios grossos convidativos, ombros largos  fazendo jus ao corpo atlético... Não! Balançou levemente a cabeça na tentativa de mudar o foco de seu pensamento. Sentiu vontade de tomar a narrativa de sua existência em suas próprias mãos, pois precisava, neste momento, mostrar ao destino que ele estava enganado. Mais algumas descobertas e...


Percebi que em situações de descontrole emocional, todos os poderes que acredito que tenho vão parar em  algum lugar que ainda não descobri onde fica... Ela continua me olhando de forma indecisa, não sabe se entra ou se dá as costas e vai embora... Percebo que a ação tem que ser minha...

- Sente-se... - Consegui dizer.


ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que vai publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em  2017, será o sexto livro da Coleção Arco-Íris - Primeiras histórias de Diedra e Wind, por isso a história não está mais disponível na íntegra. Aviso sobre direitos autorais Copyright © Wind Rose e Editora Vira Letra . Todos os direitos reservados. Você não pode copiar (seja na íntegra ou apenas trechos), distribuir, disponibilizar para download, criar obras derivadas, adaptações, fanfics, nem fazer qualquer uso desta obra sem a devida permissão da autora.

CAPÍTULO 02




Daniela corria pela plantação de trigo ao lado da mulher morena... Cujos cabelos negros voavam ao vento e faziam um contraste luminoso com o amarelo da paisagem... Aproximou-se dela e virou-a... Antes de poder vislumbrar o rosto que a atormentava noite após noite... Acordou assustada. O celular anunciava a realidade em outra dimensão... Acordou... Mas manteve os olhos fechados, tentando se localizar...





 -Atende isso Dani... - Ouviu a voz rouca ao lado...

- Atende logo... - Outra voz... Do outro lado. As duas mulheres, uma de cada lado dela, se moveram na cama.

- Ahn? - Olhou para o lado esquerdo... Para o lado direito... Deu-se conta de onde estava e do que tinha feito a noite passada... Sorriu. Tentou sair da cama, primeiro pelo lado esquerdo... Mas a loura puxou-a e segurou-a num beijo quente...

- Angélica... Pára! Meu celular... - Murmurou no meio do beijo... Livrou-se e saiu pelos pés da cama.

Atendeu.

- Oi.

- Dani! Caralho! Tô te esperando há horas! - Imediatamente reconheceu o dono da voz ansiosa do outro lado.

- Paulo? Calma! Acordei agora, não grita... Merda!

- Tá onde? Em que puteiro se enfiou?

- Em casa.

- Mentira! Já liguei!

- Ok! Não tô... Mas também não interessa... Onde você está?

- No shopping te esperando, minha linda... Como combinamos... Lembra? - Falou com ironia.

- Em meia hora estarei aí. - Desligou e correu para o banho.

 

O shopping estava lotado, impacientemente Daniela aguardou que a fila do estacionamento andasse... Maldisse o momento em que concordou em vir ao shopping num domingo de manhã, somente uma pessoa no mundo poderia convencê-la disso e ele estava lá aguardando-a ansioso.

Assim que Paulo a viu na escada rolante acenou de forma espalhafatosa. Daniela sorriu e disse para mulher atrás de si:

- Meu namorado...

Recebeu um sorriso sem graça da mulher.

Paulo a recebeu com um beijo no rosto.

- Ai ! Que demora Dani!

- Nem vem. Já me fez sair da cama num domingo de manhã, ainda queria que eu madrugasse? Me poupe!

- Há! Fiz um favor pra você. Tirei-a da cama daquela piranha. Vem!

- Por favor Paulo! Não fala assim, Angélica é.... É...

- Piranha!

Sem responder, Daniela deixou-se puxar pelo braço. Paulo conduziu-a em direção a uma das praças do shopping e pararam diante de várias tendas armadas formando um circulo ao redor de um ambiente esotérico com sofás e almofadas.

- Aqui que eu fico. - Daniela falou se jogando em uma das almofadas... De frente para uma ruiva que não parava de encará-la.

- Já volto... - Paulo se afastou em direção a uma das tendas onde uma cigana entregava senhas. Retornou em seguida.

- Conseguiu?

- Sim! A minha é número oito e a sua é nove.

- Quem disse que eu quero?

- Quer sim!

- Não quero não. E não vou ouvir bobagens de cigana nenhuma.

- Daniela Ferreira! Vai sim! Quem sabe ela diz pra você onde esta a mulher da sua vida?

- Não estou procurando mulher nenhuma, Paulo! E quer falar baixo? - Daniela repreendeu-o. Ele respondeu com uma gargalhada.

- Pois não parece... - Respondeu fazendo sinal com o olhar para a ruiva.

- Quer parar?

- Ok! Parei. Quero saber se Pedro Henrique está me traindo... - Falou enquanto sentava-se ao lado de Daniela na almofada.

- Pois eu te dou esta resposta e não cobro nada!

- Quero saber quem é!

- Pra que? Termina logo, não gosta dele mesmo!

- Não sei... Mas quero saber. Quero saber do meu destino.

- Esta cigana vai é te vender um monte de badulaques e te falar muitas bobagens.

- Não acredita em destino?

- Não!



Depois de uma hora de espera o número de Paulo foi chamado.

- Me deseje sorte.

- Se já está escrito... Não vai precisar, mas mesmo assim... Boa sorte!



Daniela viu o amigo sumir no interior da tenda e ficou observando o movimento das pessoas que saiam e entravam nas diversas opções de tendas, videntes, tarólogas, quiromancias, mapas astrais e pais de santo... Ficou imaginando o que levava as pessoas perderem seu tempo em busca de respostas que não existiam... Nunca acreditou em destino, tampouco em previsões ou vidências... Sempre foi cética. Acreditava naquilo que suas escolhas lhe proporcionavam. Enquanto observava o movimento das pessoas, lembrava-se da noite maravilhosa que teve com as duas mulheres... “Tenho que repetir”... Pensou. A ruiva caminhou em direção a uma tenda onde lia-se “Tarô e búzios”. Daniela acompanhou com o olhar... A ruiva sorriu para ela antes de entrar na tenda... Daniela correspondeu... E suspirou.



Vinte minutos depois, Paulo saiu da tenda e caminhou em direção a Daniela. Falou colocando a mão na boca como se contasse um segredo... Sussurrando...

- Ela é ótima!

- Imagino.



- Número nove! - A cigana gritou.

- Vai! - Paulo incentivou.

- Não quero!

- Vai sim! - Puxou Daniela da almofada e empurrou-a em direção à tenda....



Quando a cigana puxou o pano levantando a lateral para que Daniela entrasse o cheiro de incenso invadiu-a... Aspirou e entrou... E uma sensação estranha tomou conta de Daniela.... Como se naquele momento o mundo exterior se tornasse algo sem conexão com o interior daquela tenda e Daniela, pela primeira vez, sentiu-se como se tivesse vivido até ali como coadjuvante em sua própria vida... Sempre viu sua existência  de fora para dentro e, pela primeira fez o caminho contrário...



Sorri, sem graça. Um arrepio percorreu-me das costas aos cabelos quando o olhar daquela cigana instalou-se no meu... Pensei em sair, mas não consegui me mover, tampouco desviar o olhar... Uma imensidão escura e profunda me dominava completamente...

- Sente-se... - Sua voz suave me indicou o próximo passo, atendi... Seu olhar não se desviava, nem o meu... - O que procuras?

- N... Nada.

- Então não posso ajudá-la. - Sua voz soou suave, novamente, carregada de um leve sotaque espanhol... Baixou o olhar para a mesa à sua frente.

- Meu amigo insistiu que eu entrasse e... E...

- Veio me testar? - Falou baixo. Levantou os olhos novamente... Não entendi.

- Co... Como?

- Não acredita em nada que não consegue ver ou explicar não é? E está colocando em dúvida tudo o que faço aqui. - A cigana falou sorrindo... Os olhos negros faziam par com os cabelos que caiam totalmente lisos em seu peito, escondendo o que meus olhos tentavam ver naquele decote profundo... Disfarcei...

- Percebo que me enganei, pois está lendo meu pensamento. - Retribuí o sorriso.

- Não... Não tenho esse poder. Seu amigo me disse.

- Ah! Claro! Meu amigo...



Ela levantou e me deu a visão mais linda que já vi na vida... A sensualidade dos movimentos combinando com um vestido vermelho que descia justo até a cintura e levemente mais largo até o chão..... Na cabeça um lenço, também vermelho, cobria-lhe parte dos cabelos, um pequeno nó separava-lhe as pontas que lhe caiam pelas costas acompanhando aquela cascata negra. Vários colares que terminavam naquele decote provocante... Dando a impressão que os seios queriam se ver livres daquela prisão... Tentei me controlar para que ela não percebesse o quanto sua imagem me deixava perturbada... Se aproximou pelo lado...



- Levante-se... Por favor! -A suavidade da voz fazia par com a leveza dos movimentos.

 Atendi imediatamente... Era um pouco mais baixa que eu. Ela pegou minha mão. Senti o calor das suas que contrastavam com o suor das minhas.

- Está nervosa? - Encarou-me novamente. Um olhar que me desnudava a alma... Colocou a mão no meu pulso, por alguns instantes e depois segurou minha mão fazendo com que a parte interna virasse para cima.

- N... Não! - Respondi

- Como é seu nome..? - Com a outra mão deslizou os dedos pela palma aberta... Achei que ia  perder os sentidos com aquele toque...

- Da...niela.

- Daniela... - Repetiu e baixou o olhos para minha mão... Passou, novamente os dedos no centro, não suportei e suspirei alto... Olhou para minha mão por alguns instantes...

- Já encontrou o que procuras... - Falou baixo para si mesma.

- O que... Que disse?

- Que sua busca chegou ao fim... E... -fez uma pausa e seu olhar parou dentro da minha mente... Continuou: - É correspondida...

- Do que está falando? Eu não estou procurando nada... Nem ninguém... - Falei sorrindo nervosa... Ela respondeu calmamente:

- Suas vidas se encontraram aqui... E... Já está acontecendo... - E passou novamente o dedo na palma da minha mão, parando em um determinado ponto... Senti um calafrio subir-me nas costas e parar no último fio de cabelo...

- Impossível, não sei do que está falando. - Puxei minha mão. Ela pegou-a novamente.

- Talvez... Ainda não saiba... Mas vai saber... Alguns eventos lhe mostrarão... Não será fácil, pois terá que enfrentar seus próprios medos e rever muitas convicções...

Continuou olhando para minha mão e tive a impressão que se assustou com o que via, pois largou-a e deu um passo para trás... Esperei. Ela levantou o olhar e senti como se uma noite escura me envolvesse, ouvi o som das estrelas faiscando no fundo daquele olhar... Minha racionalidade, que havia me abandonado desde que entrei naquela tenda, deu sinal de vida... Desviei de seu olhar.

- Desculpa... Mas... Mas...

- Eu sei. Não acredita. - Falou sorrindo... Lindamente.

- Tenho algumas convicções e... E... Acho que minha vida depende das escolhas que faço e não acredito que elas estejam pré determinadas... Desculpa...

Continuou sorrindo sem desviar seu olhar do meu. Me sentia presa naquela imensidão. Por um momento ficou em silêncio e sua expressão se tornou séria.

- Sim... As escolhas são suas... Mas todas levarão você ao encontro dela...

 Terminou de falar e respirou fundo como se precisasse de ar... De fôlego...

- Você falou... Falou “dela”?

- Sim.

- Realmente meu amigo fala demais.

Ela ficou em silêncio. Seus olhos não se desviavam dos meus.

- Não precisa acreditar em mim... Vá! Siga sua vida. As coisas acontecerão na hora que tiverem que acontecer. - Falou quase que com rispidez... Como se quisesse que eu saísse logo dali.

Tirei do bolso uma nota de cinquenta reais e estendi a ela:

- Quanto devo a você? - A pergunta saiu estranha.

- Nada!

- Mas... Mas... Você não vai cobrar?

- Não veio buscar nada... Não lhe dei nada!.. Adeus!

- Obrigada mesmo assim... - Me virei para sair da tenda, mas....

- Daniela...

- Sim? - Me virei para ela.

- Lembre-se que sempre que fizer uma escolha estará acionando novos acontecimentos a sua vida... E... Tome cuidado com elas, pois... - Silêncio... Não completou.

- Cuidado com o que? Não entendi...

Sorriu...

- Apenas tome cuidado.

Saí com a sensação de que a veria novamente. Algo estranho me perturbava. Paulo veio rapidamente em minha direção:

- Como foi?

- Não... Não sei... Ela falou coisas estranhas... E com você?

- Vou te contar... Durante o almoço, pois estou morrendo de fome. Vamos?



Contou-me tudo o que a cigana havia lhe dito. Não confirmou a traição de Pedro, mas disse-lhe que a vida lhe reservava muitas alegrias ao lado de alguém que ainda estava por vir. Contei algumas coisas que ela falou-me, mas sem detalhes.

- Ela falou de Angélica?

- Por que falaria?

- Ah, sei lá. A mulher não sai do seu pé... Ou melhor, da sua cama.

- Paulo, que implicância você tem com ela. Se não conhecesse você ia dizer que está com ciúmes... - Falei debochando.

- De Angélica? Nunca! Se fosse da Pamela ou da Kamila... Mas de Angélica? Jamais! Conta aí: que aconteceu ontem? Saiu do bar com ela e com aquela morena... Vai me dizer que...

- Não vou te dizer nada...

Ele deu uma gargalhada, mas controlou... Colocando a mão na boca.



Angélica era filha de um grande construtor da cidade e nos conhecemos na ocasião em que nosso escritório de engenharia foi contratado para fazer o projeto de um dos prédios da construtora. Angélica trabalhava como administradora da construtora do seu pai. Conhecemos-nos num dia e no outro transamos no banheiro da sala dela. Foi tesão a primeira vista. Era uma loura deslumbrante e nossa relação a partir de então passou a ser estritamente sexual. Ela sabia que eu saia com outras mulheres, assim como eu sabia que ela fazia o mesmo. E às vezes saiamos com outra... Juntas. Como na noite passada.



Ficamos no shopping o restante da tarde e depois de rirmos muito de tudo decidimos ir embora. Nos despedimos no estacionamento.



Aquela noite, não só as palavras da cigana ficaram martelando em minha mente, mas todo o conjunto da obra. Lembrei daquele olhar enigmático, dos movimentos que davam a impressão de que ela flutuava, do toque em minha mão... Nesse momento levei a mão até os lábios e meus olhos se fecharam na intenção de resgatar o cheiro, a maciez. Lembrei daquele decote... Imaginei os seios, fui descendo até a cintura e resolvi parar. Tomei duas taças de vinho e liguei para Daniel, meu irmão. Contei o dia que tive no shopping com Paulo, falei da cigana... Omiti minhas impressões libidinosas, ele riu muito do fato de eu ter aceitado entrar na tenda e ter me submetido à consulta... Nos despedimos com a promessa de que eu contaria tudo com detalhes no dia seguinte, no escritório. Depois liguei para minha mãe, e encerrei meu dia. Dormi pensando na cigana.  



Logo após a última consulta, saí do shopping esgotada. Lucas e minha tia me esperavam para jantar em casa. Contei a eles o dia e sobre alguns casos pitorescos que ocorreram, sem detalhar nada sobre a vida de ninguém.

- Você deve estar cansada, Inka. Vou embora e conversamos amanhã. Espero você no café.

- Sim. Vou até lá. Sei que de manhã você não pode sair. - Minha voz saiu cansada.

- De manhã não posso mesmo. Mas fico muito feliz com isso. O movimento no café aumentou consideravelmente depois que mudei para o térreo. E agradeço isso a Senhora. - Falou colocando a mão no braço de minha tia, que sorriu retribuindo o carinho.

- Lucas, não preciso ser vidente para saber que o seu faturamento aumentaria se mudasse para o térreo. - Ela respondeu com bom humor.

- Não chamo de vidência... Mas de assessoria. Foi fundamental a sua informação sobre os problemas com o antigo proprietário. - Falou e se arrependeu.

- Tia! Não acredito que fez isso! - Falei imediatamente, pois não concordava com a forma como ela utilizava sua intuição privilegiada.

- Ora, Inka, apenas disse a Lucas que o Arthur estava com problemas financeiros e que se ele fizesse a proposta na hora certa fecharia o negócio.

- Claro! Claro! - Lucas tentava amenizar o estrago que tinha feito.

- Conheço bem vocês dois... Mas hoje não estou em condições de argumentar sobre ética. Vou pra cama. Boa noite.

- Não vai contar sobre a discussão com o seu namorado? - Lucas perguntou de forma irônica.

- Não estou mais namorando Raul e você sabe disso. Amanhã eu conto.

Levantei e me despedi de Lucas com um beijo no rosto. Fui até minha tia e fiz o mesmo. Deixei os dois na sala e fui para meu quarto. Na cama, fiz um esforço para não trazer a mente aquela que a preencheu desde o momento que a vi, mas foi inútil. Lembrei de todos os movimentos que ela fez desde que entrou na tenda, apesar do constrangimento aparente, mas nada submissa, pelo contrário... Deixou claro sua personalidade forte, a atitude franca, o olhar inquisidor, porém sem a ironia comum às pessoas descrentes. Dormi travando uma batalha interna entre a vontade de lembrar e a obrigação, que me impus, de esquecer.

ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que vai publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em  2017, será o sexto livro da Coleção Arco-Íris - Primeiras histórias de Diedra e Wind, por isso a história não está mais disponível na íntegra neste site.
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CAPÍTULO 03


Os eventos que se sucederem após aquele estranho encontro em nada lembravam as palavras da cigana, pelo contrário. Daniela retomou sua vida que, por sua vez, seguiu o curso que a ela pareceu totalmente sob seu controle e vontade. As palavras da cigana ficaram esquecidas em algum local de sua mente que, conscientemente, Daniela colocou. Continuou dedicada ao seu trabalho e as suas conquistas. A facilidade com que as mulheres apareciam na sua vida se igualava a forma como desapareciam. Não se ligava a ninguém por muito tempo. Angélica já estava lhe causando aquela sensação que tanto abominava... A rotina. Assim os encontros se tornavam mais raros, começou a inventar desculpas e quando se encontravam, Daniela já estava em companhia de outra.


Inka entendeu a situação como efeito da confusão e total descontrole emocional que se encontrava em virtude da pressão que recebeu de Raul naquela manhã. Percebeu que seus sentidos a traiam em situações de desgaste emocional. Assim tratou de esquecer o episódio e a mulher que a fizeram perder, por alguns momentos,  as suas convicções sobre suas próprias emoções e interesses no que se refere a sua sexualidade. Era assediada por muitos homens e na maioria das vezes se esquivava delicadamente dos convites que recebia para sair, embora sentisse certa atração por alguns evitava encontros que sabia que seriam apenas com o intuito de sexo. Para ela o sexo tinha que ser acompanhado de amor. Um dos motivos que a fez terminar com Raul, pois depois de oito meses de namoro, percebeu que o que sentia por ele nada mais era do que carinho e amizade. Mas, apesar de acreditar que era bem resolvida com relação a sua sexualidade, procurou firma-la das mais diferentes formas. Saiu com alguns homens que considerou corresponderem ao seu par ideal, até o momento nenhum havia conseguido mais do que um jantar ou um cinema sem maiores envolvimentos. O que para ela não era problema, pois tinha certeza que em algum momento o amor viria até ela. Tinham sido estas as palavras de sua avó... Há muitos anos atrás.


Mas o destino, aliado do tempo, sem pressa tratou de costurar nas suas reentrâncias mais escondidas o caminho, cuja porta foi aberta em algum lugar do passado e por algum evento que, inconscientemente, foi acionado por ambas. Apesar da descrença de uma e a negação da outra, não havia mais volta. Mas elas... Ainda não sabiam.     


Uma semana depois... 

Daniela dirigia absorta nos projetos que tinha que entregar até segunda, iria trabalhar o final de semana inteiro, parou na sinaleira em frente ao shopping e quase que imediatamente lembrou-se da cigana. O sinal abriu, arrancou e seu pensamento se voltou para as palavras daquela cigana linda... Recapitulou todos os movimentos dela e imaginou encostar naqueles lábios cheios... “Ah que loucura... Cigana maluca... Mas deliciosa...” Sorriu com seu pensamento... Só percebeu o homem que saiu da calçada em direção a rua no último momento... Só teve tempo de virar o volante para a esquerda para não atropelá-lo... Fez uma escolha... E cortou a frente de uma EcoSport que vinha na pista ao lado... Com o choque, o seu carro, por ser mais leve, foi arrastado por alguns metros e rodou duas vezes na pista  batendo em outros dois carros que estavam parados. Bateu a testa no volante, mas não perdeu os sentidos... Recuperou-se do susto e saiu do carro, preocupada com a pessoa que estava no outro carro... Quando se aproximou percebeu que o carro estava com a frente destruída,  não havia mais ninguém no carro e as pessoas acumulavam-se ao seu redor...


- Quem estava dirigindo este carro? - Perguntou assustada... Viu que escorria  sangue de sua testa... Alguém alcançou um lenço, ela colocou no corte.

- Aquela senhora ali... - Alguém apontou... E Daniela olhou na direção indicada... Ela  estava sentada no meio fio, com a cabeça baixa. Sentiu que suas pernas falharam... “A cigana...”  Mas caminhou em sua direção...

- Você está bem? - A voz saiu fraca... Pois precisou de forças para assumir o controle de suas emoções...


Ela levantou os olhos em minha direção e novamente nossos olhares se encontraram... A surpresa que ela teve foi do tamanho da minha vontade de abraçá-la...

- Você... - Levantou-se com dificuldade segurando a perna. Fui em direção a ela e amparei-a. Fiz sentar-se novamente, me olhou assustada - Você está sangrando? - Completou.

- Foi um arranhão... Acho que provoquei isso tudo... - Falei olhando ao redor.

Cada vez mais  os curiosos aglomeravam. Olhei novamente para ela. Estava diferente. Vestia um jeans e uma camiseta  preta. Estava linda... Os cabelos presos atrás de forma displicente. Desviou do meu olhar.

- Você é louca? Por que se atravessou na minha frente? - Perguntou.

- Eu... Eu... Me desculpa... Estava distraída e... E quando vi um homem apareceu na minha frente e tentei evitar de atropelá-lo... Acabei causando isso... Eu... - Falava nervosa...

As pessoas ao nosso redor... Toda minha segurança me abandonou... “Que poder ela tem sobre mim...” Pensei. Me sentia completamente perdida...

- Se andasse devagar ou com mais atenção teria evitado isso! - Estava brava.

- Ei... Calma... Estamos bem não é?

- Droga! - Falou tentando levantar-se novamente, segurei seu braço...

- Não levanta, já chamaram a ambulância.

- Me deixa em paz!

- Não precisa gritar!

Nossa discussão foi interrompida pela ambulância. Depois dos primeiros atendimentos levaram-na para a ambulância, fui até a porta e antes de fecharem ela me olhou e falou indignada:

- Da próxima vez olhe pelo espelho!

Senti meu sangue ferver... Respondi:

- Da próxima use seus poderes e evite!

Me olhou com raiva...

- Idiota!

- Estúpida!

Fiquei observando a ambulância se afastar... “O que está acontecendo?”


Liguei para Daniel, meu irmão, que em menos de vinte minutos estava ali ao meu lado já acertando os detalhes com a seguradora, com a policia de trânsito que ouvia as testemunhas que confirmaram o meu depoimento e com os outros proprietários dos veículos que estavam estacionados e que haviam sido atingidos. Depois de algum tempo e de resolvermos todas as questões saímos em direção ao meu apartamento. Mas não conseguia tirar a cigana de meu pensamento e no caminho pedi para Daniel desviar para o hospital, pois queria saber como ela estava.

- Esse corte Dani... Não precisa de pontos?

- Claro que não, foi um arranhão Daniel. Não ta vendo?

- Ei calma...

- Desculpa, fiquei nervosa...


As informações nos levaram até o corredor onde uma senhora aguardava. Assim que nos aproximamos ela me olhou e imediatamente falou.

- Foi você?

A pergunta me pegou de surpresa... Respondi de forma ríspida:

- Fui eu o que?

Ela sorriu...

- Calma, não estou te acusando... Apenas perguntando. Foi você que se envolveu no acidente com minha sobrinha?

O forte sotaque espanhol me deu certeza que ela se referia a cigana. O olhar daquela senhora me tranquilizou. Senti ternura, cumplicidade e algo que me fez sentir vontade de conhecê-la, conversar com ela... Não consegui entender.

- Sim, fui eu sim. E... Como ela está?

- Estou aguardando, pois ela entrou para fazer uma radiografia do joelho. -Acho que percebeu meu olhar assustado, logo completou: - Mas não é nada grave, tenho certeza... - Sorriu amavelmente... Complementou: - E os médicos também...

Correspondi ao sorriso dela.

- Como se chamam, filhos?

- Meu nome é Daniela, e este é meu irmão Daniel.

Daniel se aproximou e estendeu a mão a ela.

- Prazer, senhora...?

- Vana. Meu nome é Vana e o prazer é meu.

- Vamos nos sentar e aguardar, então.

Daniel conduziu-a ao sofá que havia no corredor e eu fiquei observando aquela mulher se afastar... “Ciganas...! O que mais vem pela frente ainda?” Pensei, pois tinha opinião formada sobre elas e, assim como a maioria das pessoas que conheço... Essa opinião não é das melhores... Caminhei até onde estavam e sentei ao lado deles.

Em menos de uma hora, Daniel fez um resumo de nossa vida. Contou que nossos pais moravam no interior do Estado, que tínhamos um escritório de engenharia no centro da cidade, que éramos dois engenheiros e mais um arquiteto, Paulo, nosso amigo. Falou que morávamos juntos, mas que há dois anos ele havia decidido viver com a namorada, portanto eu morava sozinha. Disse que tinha 32 anos, que eu tinha 28... Naquela altura eu já estava impaciente. Não aguentava mais ouvir as risadas de meu simpático irmão e da cigana. Queria saber, ou melhor ver a outra. De repente perguntei:

- Como é o nome dela? - Os dois me olharam surpresos.

- Minha sobrinha chama-se Inka. - A cigana respondeu sorrindo. Paulo me repreendeu com o olhar.

- Será que vai demorar muito ainda? - Perguntei.

- Filhos, não precisam esperar, digo a Inka que estiveram aqui. - A cigana falou.

- Não. Esperamos mais um pouco. - Respondi rapidamente.

- A conversa está ótima. Por mim não tem problema, mas conte-nos de vocês... - Meu irmão, como sempre, simpático.

- Bem... Estamos no Brasil há alguns anos. E como já perceberam somos ciganas, pertencemos a uma etnia da região da Andaluzia, na Espanha. - Ela baixou a cabeça, percebemos constrangimento, sorriu e continuou:  – Temos uma loja no shopping de artigos esotéricos, minha sobrinha que toma conta, ajudo-a sempre que possível, me dedico mais a... Bem... Gosto de cultivar ervas medicinais e tenho em casa um pequeno herbário que me toma o tempo... E... Atendemos muitas pessoas que buscam ajuda e conselhos... E assim vamos dividindo as tarefas...

Nesse instante a porta abre-se e passa por ela um homem de branco, que deduzi ser o médico empurrando a cadeira de rodas, na qual ela estava sentada, assim que nos viu levantou-se:

- Não preciso disso... - Falou tentando firmar-se, mas não conseguiu... Meu irmão rapidamente a segurou... Fiquei parada assistindo a cena. Nossos olhares se cruzaram... Caminhei em sua direção...

ATENÇÃO: Os direitos autorais desta obra foram adquiridos pela Editora Vira Letra, que vai publicá-la em versão impressa (livro) e digital (ebook) em  2017, será o sexto livro da Coleção Arco-Íris - Primeiras histórias de Diedra e Wind, por isso a história não está mais disponível na íntegra neste site.
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